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Nunes Correia: «Há grande ansiedade de alguns privados com a venda da Aquapor»

2007-12-12

Já existem mais de 15 propostas de intenção de compra da Aquapor, adiantou o ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia. Em entrevista ao jornal Água&Ambiente. Essas propostas estão com um grupo de trabalho junto da administração da Águas de Portugal, coordenado pelo seu administrador financeiro e assessorado por um grupo de juristas e financeiro.

De todas essas propostas preliminares vão ser seleccionadas duas ou três. Para essas, adiantou o ministro, «será feita uma análise mais fina. Quem comprar a empresa tem que preservar a sua identidade, integridade, autonomia, tem de manter a empresa como a Aquapor, a sua estrutura e o seu património. Também tem de dar garantia de estabilidade do corpo accionista por um período não inferior a 5 anos, ou seja, não permite que alguém compre para logo a seguir vender. Por uma questão de preocupação social vão ter de manter-se os postos de trabalho por um período também não inferior a cinco anos».

Certo é que a venda será feita por negociação directa. «O objectivo principal é não diminuir o número de players nacionais mas, ao mesmo tempo, retirar o grupo público da AdP deste sector de mercado, acabando com o mau estar que isso cria», disse o governante. O governante disse ainda que sente que há uma grande ansiedade por parte de algumas empresas privadas, mas «a nossa responsabilidade neste sector não é satisfazer esta ou aquela empresa, mas antes pensar o que é melhor para conceber um grande desígnio nacional que é todos os portugueses disporem de serviços de água com qualidade e de forma sustentável»

Nunes Correia referiu ainda que a privatização de empresas como a Aquapor e a Luságua não obedece nem deve obedecer a critérios estritamente financeiros, isto é, deve obedecer apenas à preocupação de maximizar o encaixe financeiro resultante da venda dessa empresa. Ainda assim, admitiu que o encaixe financeiro é importante e deve ser tido em conta. «Mas o Estado tem também a obrigação de pensar a longo prazo. O que nós entendemos é que deve manter-se um número razoável de players a actuar no mercado das concessões. Nesse sentido, parece-nos importante que a empresa que se está a vender - a Aquapor - se mantenha como player autónomo e que esta não seja apenas uma operação para aumentar uma empresa já existente pelo simples processo de fusão», defendeu.


Autor / Fonte
Lúcia Duarte
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