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Solar fotovoltaico: o dilema da escala de produção
2008-05-05
Portugal
é um dos países mais ricos da Europa em termos de
energia solar. A insolação
em Portugal Continental varia entre 1800 e 3100 horas de sol por ano.
Para aproveitar este recurso estão a ser investidos, por exemplo, quase 600 milhões de
euros no solar fotovoltaico.
A
central de Serpa, com 11 MW de capacidade, e a de Moura, na qual vão
ser instalados 46,41 MW de pico e 35 MW de potência de injecção
na rede, são dois dos projectos mais emblemáticos do
País, figurando entre os maiores
do mundo. No entanto, a escala de produção
é um dos dilemas que se colocam relativamente a este tipo de
investimentos. Para António
Sá da Costa, presidente da Associação de
Energias Renováveis (Apren), «a aposta na vertente
fotovoltaica não deve ser feita em projectos de grande escala,
da mesma maneira que a bicicleta não dá para ser um
transporte de massas», afirma.
Muito
pequena, pequena e média dimensão. É nesta
escala que Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa
de Energia Solar (SPES), também vê o futuro da
fotovoltaica. «É negativo e contraproducente investirmos
em projectos megacentralistas. Não faz sentido praticar uma
cultura intensiva de painéis solares. É como termos um
mono, um elefante perdido num monte alentejano», compara. A
solução passa por diversificar as utilizações
dos painéis, em explorações agrícolas,
hotéis, escolas, e outros edifícios públicos.
A
Associação Portuguesa da Indústria Solar
(Apisolar) é outra entidade contra os projectos de grande
dimensão. «Uma potência de 62 MW é
megalómana. No máximo aprovaríamos três
centrais de 5 MW e repartidas pelo País», defende o
presidente da associação, Carlos Campos. «A conta
é muito simples: 62 MW equivalem a 24 800 pequenos sistemas de
2500 W, o que daria para 248 empresas se criarem e instalar cada uma
delas 100 sistemas de 2500 W, o que é muito», enfatiza.
No
mesmo sentido, Sá da Costa lembra que existem perto de 3
milhões de casas em Portugal. «Se em 10 por cento for
instalada essa potência, teremos 800 MW, disseminados em 300
mil projectos, ou seja, uma potência 12 vezes superior à
que será instalada em Moura», reflecte. «Ao
contrário da centralização da potência, é
preciso descentralizar», conclui Carlos Campos.
Autor / Fonte
Ana Cristina FerreiraNotícias relacionadas
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