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Conservação da Natureza

Quercus travou três projectos em três anos

2008-05-12
A Quercus inscreveu no seu currículo, nos últimos três anos, a paragem de três projectos. A suspensão judicial das obras do empreendimento da Costa Terra, em Melides, na sequência  de uma providência cautelar interposta por esta associação e pelo GEOTA, é o exemplo mais recente, mas mais dois casos relacionados com abate de sobreiros engrossam a lista.
 
No caso de Melides, a Comissão Europeia veio reforçar o processo desencadeado pelas associações, tendo aberto um processo de infracção contra Portugal por falta de medidas de protecção ambiental na aprovação de três complexos turísticos aprovados em áreas protegidas, entre eles o da Costa Terra. «Os três investimentos em causa – Costa Terra, Pinheirinho e Comporta – já tinham recebido luz verde do Governo para avançar e foram considerados Projectos de Potencial Interesse Nacional, decisões que podem agora cair por terra.
 
Se no caso do empreendimento de Melides o problema está  em deficiências ao nível da avaliação dos impactes nos habitates e espécies prioritários do Sítio de Importância Comunitária (Comporta/Galé), de acordo com a Comissão Europeia, nos outros dois processos em que a Quercus esteve envolvida é o abate ilegal de sobreiros que está em causa, embora nenhum em Rede Natura 2000. «Em 2005 parámos o abate de sobreiros pela Portucale, responsável pelo projecto turístico na Herdade da Vargem Fresca, e travámos a construção de um loteamento no concelho de Palmela, que estava a ser feito dentro de um montado de sobro», recorda Hélder Spínola, presidente da Quercus.

Sabor e Odelouca também com queixas
 
Além destas intervenções, para a história do movimento ambientalista português há pelo menos mais dois exemplos a registar nos últimos anos. Um deles prendeu-se com a queixa apresentada em Bruxelas contra a construção da barragem do Baixo Sabor. A unidade, considerada uma alternativa à barragem de Foz Côa, abandonada para preservar o património arqueológico do local, teve Declaração de Impacte Ambiental favorável em Junho de 2004. A Plataforma Sabor Livre, constituída por organizações ambientalistas, enviou uma queixa à Comissão Europeia (CE) perante a decisão do Governo de avançar com a barragem, alegando a destruição de habitats e espécies protegidas. De qualquer forma, a queixa foi arquivada no ano passado por Bruxelas. Mas a questão não está resolvida. «Vamos continuar a insistir com a queixa», garantiu Carlos Costa, presidente do GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, uma das associações que integram a plataforma.
 
Ainda no âmbito das barragens, a LPN tentou evitar a construção da barragem de Odelouca, cuja construção chegou a estar suspensa por Bruxelas. A Comissão Europeia decidiu em Dezembro de 2006 arquivar o processo contencioso relativo à construção da barragem em Sítio da Rede Natura 2000, considerando que o Estado português apresentou as necessárias medidas de compensação pela construção desta infra-estrutura.
Autor / Fonte
Tânia Nascimento
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