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Portugal despertou tarde para tributação ambiental
2008-05-15
Alterações na tributação
automóvel, a nível local e das grandes obras públicas
são alguns dos aspectos que Sérgio Vasques, professor
da Faculdade de Direito de Lisboa, considera que devem ser
considerados na tributação ambiental.
Durante muitos anos, referiu o docente, durante a 9ª
Grande Conferência do jornal Água&Ambiente, o
sistema de tributação nacional esteve orientado para a
redistribuição económica, o que fez com que
houvesse «uma marginalização das questões
ambientais por parte do legislador». A pouca preparação
da administração pública, a fraca articulação
entre os serviços, e a incipiente consciência ambiental
dos contribuintes são alguns dos constrangimentos que
contribuíram para esta situação, afirmou.
De qualquer modo, o direito comunitário impõe
exigências que o Estado português não pode
contornar, nomeadamente no sector da água, resíduos e
carbono. «Nas águas até agora o que temos em
Portugal são taxas de ocupação do domínio
público e de extracção de inertes, não
sendo tributados a distribuição de água e a
rejeição de efluentes», alertou o especialista.
Para alterar esta situação, foi aprovado o regime
económico e financeiro da água, que fixa princípios
em matéria de racionalização de recursos
hídricos. Com efeito, as taxas de recursos hídricos,
definidas pelo diploma, procuram alargar a tributação
da água a todos os sistemas susceptíveis de ter impacte
no ambiente. «Os valores são moderados, já que em
alguns casos se está a dar o primeiro passo», analisa
Sérgio Vasques, que acrescenta que na área dos resíduos
ainda não tivemos em Portugal taxas em função da
orientação de comportamentos.
Ao nível do carbono começa a haver
algumas mudanças. «Até há pouco tempo a
nossa tributação automóvel era alheia a
preocupações ambientais. No entanto, o legislador
português avançou com a reforma, deslocando a carga
fiscal do momento da compra para a circulação»,
lembra. De qualquer modo, nos próximos 4 a 5 anos é
preciso aperfeiçoar o sistema de tributação
automóvel, alertou. Esta deverá dar preferência
aos veículos mais amigos do ambiente. «Também é
preciso mecanismos que reencaminhem as empresas para a racionalização
energética das suas frotas», frisa.
É também necessário pensar na
tributação das grandes áreas públicas. «É
verdade que estas obras geram benefícios para os particulares,
mas também geram custos. A construção de acessos
às auto-estradas no meio das localidades ou em frente às
janelas tem grandes impactos», exemplifica o docente da
Faculdade de Direito de Lisboa. Outra área importante a ter em
conta é a tributação ambiental ao nível
local. «Muitas vezes os municípios têm estado do
lado errado da barricada, levando à degradação
do património», defendeu, uma situação que
se justifica em parte pelo facto de muitas das suas receitas
resultarem de licenciamentos de obras ou de publicidade na via
pública. É por esta razão que devem ser pensadas
noutras áreas de intervenção. Por exemplo, pode
proceder-se à rotulagem automóvel que permita aos
municípios estabelecer corredores verdes ou áreas de
estacionamento privilegiadas para estes veículos. «Esta
seria uma forma de cruzar iniciativas do poder local com o poder
central», conclui.
Autor / Fonte
Tânia NascimentoNotícias relacionadas
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