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«Ondas de calor são a catástrofe natural que mais mata depois do Terramoto de 1755»
2008-06-05
Temperaturas
extremas, cheias, incêndios e seca são alguns dos
desastres naturais com origem em fenómenos meteorológicos
que, só nos últimos 40 anos, fizeram milhares de mortos
e provocaram pesados prejuízos económicos. O ano de
2003, o mais quente da Europa nos últimos 500 anos, foi o
pior de que há registo no período em causa, quer em
termos de número de fatalidades, quer de impactos económicos:
mais de 2000 mortes e prejuízos superiores a 1000 milhões
de euros.
Em
Agosto de 2003, as temperaturas extremas fizeram o maior número
de vítimas: 2007 pessoas sucumbiram aos efeitos do calor. Em
2004 registaram-se cerca de 100 mortes na região do Algarve,
tendo este fenómeno
provocado mais 462 óbitos em
2005 e 1259 mortos em 2006. Ou seja, entre 2003 e 2006 registaram-se
3828 óbitos como resultado de ondas de calor que, segundo
Costa Alves, ex-presidente do Instituto de
Meteorologia, é «a catástrofe natural que
mais
mata depois do Terramoto de
1755».
O
especialista salienta que o ano 2003 foi, de resto, aquele em que
verificou uma mudança de paradigma, com quatro anos
consecutivos onde se registaram ondas de calor. Antes desta data, só
os anos de 1981, com 1906 mortos, e 1991, com cerca de 1000 óbitos,
se tinham destacado. «Neste quadro de maior instabilidade do
clima as ondas de calor tenderão a ser mais frequentes e de
maior intensidade», alerta o especialista, que salienta que o
sistema de protecção civil não está
preparado para dar resposta a estas situações.
De
salientar que o aumento em frequência e intensidade das ondas
de calor e frio intenso, dos episódios de chuvas torrenciais e
seca, ou dos furacões determinam os chamados desastres
naturais com maior número de mortes por stress, desidratação,
hipotermia ou doenças cardíacas e respiratórias.

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