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FAO alerta para a urgência de rever a produção de biocombustíveis

2008-10-09
As políticas e os subsídios à produção de biocombustíveis têm de ser objecto de revisão urgente, caso contrário coloca-se em risco a segurança alimentar mundial, alerta a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), num relatório publicado esta terça-feira.

A produção de biocombustíveis, com base em matérias-primas alimentares, mais do que triplicou entre 2000 e 2007, e hoje cobre quase dois por cento do consumo mundial no sector dos transportes. Como consequência, a subida dos preços agrícolas originou uma crise alimentar a nível mundial, lembra Jacques Diouf, director da FAO.

No âmbito desta revisão, a produção de biocombustíveis poderá, inclusivamente, favorecer os países subdesenvolvidos, através da oferta de emprego, caso os pequenos agricultores recebam apoios para expandir a sua produção e ter acesso ao mercado. Para isso, terá de se apostar no investimento em infra-estruturas, bem como em investigação, finanças rurais, informações de mercado e sistemas legais e institucionais, aconselha o relatório da FAO.

«Todos os esforços devem centrar-se na prossecução do maior desafio de todos, que é libertar a humanidade do flagelo da fome», sublinhou Jacques Diouf.

Biocombustíveis postos em causa

Visto de uma perspectiva ambiental, a eficácia dos biocombustíveis também é questionável, refere o relatório da FAO, tendo em conta que a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) apenas está provada para o bioetanol, produzido a partir de cana-de-açúcar.

Aliado a isso, a necessidade de reservar áreas de grande dimensão para a produção de biocombustíveis levou à desflorestação e ao esgotamento de recursos naturais, com consequências para a biodiversidade. Daí que as esperanças residem agora nos biocombustíveis de segunda geração, ainda em desenvolvimento e não comercializáveis neste momento. Tendo a sua produção como base produtos não alimentares, como a madeira e resíduos florestais, esses biocombustíveis não põem em causa a segurança alimentar mundial e são mais promissores em termos de redução de emissões de CO2, conclui o documento.

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