Notícias
Canal \ Noticias \ Detalhes
Energia,Resíduos
Investidores apontam perigos aos projectos de biomassa
2009-02-26
Apesar de se falar nos atrasos que têm marcado o concurso lançado pelo
Governo para a construção de 13 centrais a biomassa florestal, este não é o
único problema que afecta o sector.
Segundo Francisco Pintor, administrador da Tecneira, os perigos para o
desenvolvimento dos projectos decorrem também da existência de uma tarifa pouco
competitiva relativamente ao mercado internacional, o que «induz perda de
rentabilidade nos investimentos, que têm
agora de ser reavaliados para os parâmetros de hoje que são, obviamente,
diferentes dos dados de partida».
Paulo Preto dos Santos, director-geral da Sobioen, aponta também o dedo
à forma «errada» como a tarifa está concebida, isto porque a actualização da mesma
em função da inflação só ocorre a partir do momento em que a unidade está em
fucionamento.
Com os atrasos na adjudicação definitiva dos concursos, a tarifa que
ronda em média os 108 euros por MWh foi, nos últimos 3 anos, «delapidada de
valor», tendo havido uma perda de margem da ordem dos 12 por cento», estima.
Não obstante, as unidades que arrancarem em 2011 continuarão a usufruir de uma
tarifa da ordem dos 108 euros por MWh, o que, do ponto de vista de Paulo Preto
dos Santos, «é gravíssimo».
Ao invés, as centrais já em funcionamento terão uma remuneração
superior. Recorde-se que, este ano, deverão entrar em funcionamento as unidades
de Leirosa (30 MW) e Constância (14 MW), do grupo Altri e EDP, que têm ainda
mais seis licenças. «Como as centrais da Altri e da EDP entram em funcionamento
mais cedo do que as unidades que resultaram do concurso terão uma remuneração
mais elevada», explica Paulo Preto dos Santos. Segundo as suas contas, estas
centrais poderão já estar a ser remuneradas acima dos 120 euros por MWh e, por
essa razão, terão condições para pagar mais pela biomassa.
Escassez de matéria-prima
Esta é uma premissa importante quando se sabe que os projectos em curso
e os que estão previstos aumentarão a disputa pela matéria-prima.
Só para alimentar as 13 centrais do concurso, as unidades da EDP/Altri e
os projectos de peletes espalhados pelo País serão necessárias, de acordo com
os cálculos de Salvador Malheiro, country manager da Embaixada da Suécia
para as energias renováveis, 10 milhões de toneladas de biomassa, quase o dobro
das necessidades de há um ano. Todavia, a biomassa existente no território
nacional pode não chegar para todas as encomendas.
Os estudos sobre a disponibilidade de biomassa florestal em
Portugal começaram em 1985, com o trabalho realizado pela consultora Arthur D.
Little e pela Tecninvest. A produção anual de resíduos florestais e resíduos da
indústria da madeira foi avaliada em 3,54 milhões de toneladas verdes,
proveniente na sua maioria da exploração florestal do pinheiro bravo, eucalipto
e sobreiro. Dados mais recentes indicam que as disponibilidades podem variar entre as duas e as seis toneladas.
Com efeito, avisa Salvador Malheiro, «a biomassa não vai chegar para
todos os projectos. De qualquer modo, com a actual conjuntura é difícil que
todos os investimentos avancem». Ainda assim, para fazer face a uma previsível
escassez de matéria-prima, o especialista aconselha a aposta nas culturas
energéticas.
Outras possibilidades para fazer face à escassez do recurso passariam
pela aposta na reciclagem da madeira resultante da construção civil e do
mobiliário, em vez de esta ser encaminhada para aterro, mas também pela
alimentação das centrais termoeléctricas com combustível derivado de resíduos,
acrescenta Salvador Malheiro.
Exportação assusta investidores nacionais
Mas a lista de ameaças aos projectos pendentes não se extingue com o
problema da escassez dos recursos, que poderá ser agravado com a exportação da
biomassa para outros países. A tarifa de 108 MWh é um valor que, segundo
Salvador Malheiro, «é pouco apetecível, em comparação com países vizinhos, como
Espanha e Itália». Só no território espanhol a tarifa poderá ir dos 117 euros
por MWh até aos 150 euros por MWh. Por sua vez, Itália está a pagar 300
euros/MWh para centrais até 1 MW, mais do triplo da remuneração portuguesa.
O «petróleo verde», como já lhe chamaram, passa assim muitas vezes as
fronteiras nacionais. «Na Europa não há
uma prática comum em relação às tarifas de remuneração da energia eléctrica»,
critica Paulo Preto dos Santos, o que pode levar a distorções do mercado. Por
esta razão, alerta o director-geral da Sobioen, «Portugal tem de, no mínimo,
actualizar a sua tarifa para nivelar com Espanha ou a biomassa perto da
fronteira vai-se toda embora».
Autor / Fonte
Tânia NascimentoNotícias relacionadas
- Sector da energia com nova regulamentação
- Iberfer estreia central com biomassa animal já este ano
- Sector da biomassa esperava mais do Governo
- Biomassa: Governo prepara actualização da tarifa
- Secretário de Estado da Energia reconhece dificuldades na biomassa
- Quando os projectos se transformam em desilusão
- British Airways com combustível produzido a partir de desperdícios de biomassa
- Forestech avança com novo bioparque
- Nutroton compra empresa para assegurar biomassa
- Central de biomassa da Palser arranca em Janeiro
- Produtores de biomassa criam associação
- Projecto de biotecnologia da Secil e Algafuel distinguido na Pollutec 2009
- Governo entrega mais sete lotes para construção de centrais a biomassa
- Aumento da tarifa para a biomassa bem acolhida
- Governo prepara-se para alterar tarifa para a biomassa
- HLC abraça vários projectos de energia
- AR sugere medidas para aproveitamento energético da biomassa florestal
- Centrais de biomassa dois anos atrasadas
- Galp interessada na energia das ondas
- Portugal estuda criação de distritos agro-energéticos
- MAPA abraça mercado da biomassa espanhol e búlgaro
- Miese ganha central de biomassa de Viana do Castelo e Braga
- DGEG adjudica central de biomassa ao consórcio Probiomass
- Portucel vai recolher e tratar biomassa florestal dos parques de Sintra
- Consórcio da Fomentinvest ganha central de biomassa da Sertã
- Sobioen, Hidurbe, Espírito Santo e Fomentinvest vencem central de biomassa
- Nutroton melhor classificada na central de biomassa de Viseu
- Biomassa e fotovoltaica iniciam Nutroton Energia
- Agrupamento Miese ganha central de biomassa em Vila Real
- Paulo Preto dos Santos: atraso no concurso da biomassa «é calamitoso»
- Leitão Amaro: Atraso no concurso da biomassa é «falta de respeito e eficiência»
- Escassez de biomassa inquieta sector
- Sobioen e Hidurbe ganham central de biomassa na Covilhã
- Centrais de biomassa podem fracassar
- PaResidel estuda culturas energéticas e valorização de lamas de ETAR
- Manuel Pinho defende harmonização das tarifas de biomassa
- Tecneira e Forestech ganham duas centrais de biomassa
- DGEG confirma Probiomass e Obrecol como vencedoras de centrais de biomassa
- Portugal com potencial para aproveitar o dobro das energias renováveis
- Probiomass ganha central de biomassa em Vila Real
- Sintra reutiliza resíduos das florestas na produção de energia
- Negócio da biomassa em risco
- Forestis debate oportunidades criadas pela biomassa florestal
- Tarifas das renováveis desincentivam novos investimentos

| PRODUTOS E SERVIÇOS | DIRECTÓRIO DE EMPRESAS | |


