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Turismo sustentável dá primeiros passos em Portugal
2009-06-22
Chegou o Verão e com ele a vontade de fazer férias. O turismo é
um fenómeno de alcance mundial e ganha cada vez mais relevo em termos
económicos, sociais e ambientais. Em 2005, 810 milhões de pessoas visitaram países estrangeiros, um
número que deverá duplicar antes de 2020, estima a Organização Mundial de
Turismo.
No entanto,
esta actividade pode acarretar um vasto conjunto de problemas que urge
minimizar: impactes ambientais negativos, perda da identidade local e outras
ameaças ao meio envolvente. O próprio
Plano de Acção para um Turismo Europeu Mais Sustentável, publicado em 2007 e
elaborado pelo Grupo para a Sustentabilidade do Turismo, constituído pela União
Europeia (UE) em 2004, sublinha que, se for deficientemente planeado ou
desenvolvido em excesso, «o turismo pode ser um agente de destruição das suas
qualidades especiais que são tão importantes para o desenvolvimento
sustentável».
Actualmente,
as actividades ligadas ao turismo são já responsáveis por 5 por cento das
emissões globais de dióxido de carbono (CO2), das quais cerca de 75 por cento
dizem respeito às deslocações, principalmente por via aérea.
Sustentabilidade depende do
consumidor
Terá Portugal já começado a trilhar o seu caminho
rumo a um turismo mais sustentável? Para Maria do Rosário Partidário,
professora do Instituto Superior Técnico, os desafios lançados à Europa «já
deveriam ser uma prática corrente em Portugal há muito tempo».
A especialista acrescenta que no País há
«muito pouca preocupação e sensibilidade» para as questões do turismo
sustentável, mas também é dos turistas que deve partir essa preocupação, já que
são eles que, através da procura, vão estimular a oferta. «O consumidor tem que
consumir de maneira diferente. Um turista que queira comer o que come em casa não
é sustentável. Mas enquanto houver oferta isso vai acontecer», alerta.
Também
para Apolónia Rodrigues, membro do grupo de trabalho do Plano de Acção para um
Turismo Europeu Mais Sustentável, existe potencial para criar oportunidades de
negócio em turismo sustentável, pois as estatísticas e os estudos sobre a
procura apontam para o crescimento dos mercados com interesse em destinos
sustentáveis. «O desafio seria tornar Portugal um país de destinos
sustentáveis», defende.
De
acordo com Fernando Perna, professor da Universidade do Algarve e coordenador
do Centro Internacional de Investigação em Território e Turismo, o turismo
sustentável deve ser objecto de identificação própria, afastando-se da
proliferação de produtos «eco» sem controlo e avançando progressivamente para
certificados reconhecidos internacionalmente, domínio onde a União Europeia tem
um papel decisivo.
«Se
adoptarmos a visão alargada e de longo prazo, com horizonte em 2015, refere o
docente, «o mercado do turismo sustentável crescerá tanto quanto o turismo
crescer em Portugal, porque só o turismo sustentável sobreviverá»», acrescenta.
Principais destinos em Portugal
Os
destinos preferenciais nacionais são o Algarve, Lisboa e a Madeira. Mas em
Portugal há um outro destino que se destaca pelas suas características de
sustentabilidade. De entre as 111 ilhas e arquipélagos analisados por um ranking
da National Geographic Traveler, que distingue as melhores ilhas e arquipélagos
do ponto de vista do turismo sustentável, os Açores obtiveram uma honrosa
posição, o segundo lugar com 84 pontos, numa pontuação de 0 a 100. Foram por isso
classificados como «um sítio maravilhoso, ambientalmente em boa forma», ficando
apenas atrás das Ilhas Faroe, na Dinamarca, que obtiveram 87 pontos.
Turismo corresponde
a 11 por cento do PIB nacional
Portugal é um dos 20 principais destinos mundiais, mas tem
vindo a perder quota de mercado no turismo mundial, tendo sido ultrapassado por
destinos como a Turquia, a Hungria, a Tailândia e a Malásia. As receitas de turismo
representam 6,3 mil milhões de euros, correspondendo a 11 por cento do PIB, e
apresentam uma tendência crescente. Este é um dos principais sectores geradores
de emprego, representando 10,2 por cento da população activa.
A qualidade urbana, ambiental e paisagística deverá
tornar-se numa componente fundamental do produto turístico para qualificar e
valorizar o destino Portugal. Esta é uma das orientações do Plano Estratégico
Nacional do Turismo, que visa responder à sofisticação da procura e a um número
crescente de ofertas concorrenciais. O objectivo é atrair entre 20 a 21 milhões de turistas
estrangeiros em 2015, quase o dobro dos 12,8 milhões alcançados em 2006, e
atingir um nível de receitas de 14,5
a 15,5 mil milhões de euros naquele ano.
«Portugal
tem uma oferta cultural, natural e paisagística riquíssima, com uma série de
nichos de mercado que explorados adequadamente são oportunidades de negócio
imperdíveis», ressalta Filipa Gouveia, directora da Ambiodiv.
Autor / Fonte
Sofia VasconcelosNotícias relacionadas
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