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Vermicompostagem avança lentamente em Portugal

2009-10-12
Duas novas unidades portuguesas de vermicompostagem deverão entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2010. Uma das infra-estruturas ficará situada na ilha de S. Miguel (Açores), no concelho do Nordeste, da qual a autarquia é proprietária, e terá capacidade para 2500 toneladas. A outra unidade está em construção no Parque Ambiental da Associação de Municípios Alentejanos para a Gestão do Ambiente (Beja), com capacidade para 10 000 toneladas, sendo propriedade das empresas Lavoisier - que já dispõe de uma unidade piloto em Palmela - e Slimcei.

Actualmente apenas uma unidade está em funcionamento na Associação de Municípios do Vale do Ave (Amave), em Famalicão, tendo iniciado a fase de testes no início de 2009. Tem uma área de 800 m2 e custou cerca de 300 mil euros. A tecnologia tem avançado lentamente em Portugal, mas já existem outras intenções de investimento.

A Valnor é outro dos sistemas nacionais que tenciona avançar com este tipo de solução, de forma a permitir uma maior valorização do composto que o sistema está a produzir. O investimento ronda os 400 mil euros. O projecto permitirá aumentar a capacidade de tratamento da sua central de valorização orgânica em mais 5 mil toneladas de tratamento biológico, elevando a capacidade de tratamento para as 25 mil toneladas de resíduos urbanos biodegradáveis.

«Pensamos que através da vermicompostagem é possível aproveitar 80 por cento dos resíduos sólidos urbanos para reciclagem», destaca Rui Berkemeier, do Centro de Informação de Resíduos da Quercus.

A vermicompostagem no mundo

Apesar de estar agora a ganhar um novo fôlego no tratamento de resíduos, a vermicompostagem é um processo que já conta com um longo historial. Há alguns anos, recorda Rui Berkemeier, existia em Portugal a cultura da minhoca. «Havia uma cooperativa que as comprava, no entanto, produzia-se apenas por produzir e acabou por haver uma saturação do mercado, sem as minhocas terem um fim comercial», conta.

Em termos mundiais o cenário é um pouco diferente. O processo é já muito utilizado em países como os Estados Unidos, China ou Japão. Em Hong Kong, por exemplo, a cadeia Mcdonalds instalou uma unidade para 30 mil toneladas e na Áustria existem várias infra-estruturas do género para tratar as lamas das estações de tratamento de águas residuais.

Também no aeroporto de Heathrow, em Londres, parte dos resíduos são tratados com recurso à vermicompostagem, possibilitando a produção de material orgânico rico em húmus, que poderá ser utilizado na agricultura ou silvicultura, consoante a sua qualidade.

Perante o interesse demonstrado, a Lavoisier não põe de parte a hipótese de levar esta tecnologia para outros países. Actualmente, «temos já empresas interessadas na solução de vermicompostagem em Espanha, Brasil e Moçambique», revela João Completo, sócio-gerente da empresa.




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