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Indefinição na zona piloto atrasa exploração da energia das ondas

2009-11-10
A energia das ondas faz parte da estratégia nacional para satisfazer as necessidades energéticas do País, mas Portugal está ainda longe de cumprir os objectivos a que se propôs. De acordo com a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), estavam instalados em Agosto 4,2 MW, mas ainda sem produção de energia. Ora, tendo em conta que os objectivos do Governo passam por atingir os 200 MW de potência instalada, há ainda um longo caminho a percorrer.

«Provavelmente a indefinição na zona-piloto [ZP] portuguesa - ao largo da costa de Peniche - irá provocar atrasos na exploração da energia das ondas em Portugal», afirma António Falcão, docente do Instituto Superior Técnico (IST), ao AmbienteOnline. Esta indefinição, que «não tem contribuído para encorajar os investimentos», refere, arrasta-se desde o ano passado, quando, com base no Decreto-Lei 5/2008, de 8 de Janeiro, o Governo decidiu concessionar à empresa Redes Energéticas Nacionais (REN) a exploração da ZP. O problema é que «o projecto de concessão ainda não está assinado», lamenta António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (Apren).

Na altura, Sá da Costa alertou para a necessidade de a ZP não se confinar para lá da batimétrica de 30 metros de profundidade, uma vez que algumas tecnologias em estudo não podem ter mais de 10, 12 ou 15 metros de profundidade, ficando assim fora da zona definida. «Não foi aberta uma excepção para essas tecnologias. Foi uma solução coxa», denuncia o presidente da Apren, sublinhando que o País continua a ter «muita dificuldade em concretizar e planear as coisas».

Complexidade das tecnologias

A essa dificuldade, junta-se o facto de a tecnologia necessária para explorar a energia das ondas ser «difícil e mais complexa do que, por exemplo, a eólica», refere António Falcão. E acrescenta: «Tanto quanto se sabe, no estado actual de desenvolvimento (na melhor das hipóteses estado pré-comercial) nenhuma das variadas tecnologias desenvolvidas para aproveitamento da energia das ondas é competitiva, em termos económicos, com a energia eólica em terra».

As tecnologias de exploração de energias das ondas são menos competitivas, por um lado, devido à tarifa praticada. Em comparação com a eólica, cuja tarifa ronda os 0,09 euros/kW/h, a tarifa paga pela energia das ondas é quase três vezes maior – 2,225 euros /kW/h.

Segundo o estudo “Potencial e Estratégia de Desenvolvimento da Energia das Ondas em Portugal”, publicado pelo Centro de Energia das Ondas em 2004, a produção potencial de energia eléctrica ao longo da costa Atlântica portuguesa é de cerca de 20 Twh/ano, ou seja, cerca de 20 por cento do consumo eléctrico nacional.

Parque da Aguçadoura aguarda novo fôlego

Apesar dos 4,2 MW indicados nas estatísticas da DGEG, António Falcão garante que em 2008 estavam instalados apenas 2,65 MW de energia das ondas em Portugal: 0,4 MW na central do Pico, nos Açores (completada em 1999 e que está operacional), e 2,25 MW dos três dispositivos Pelamis, instalados na Aguçadoura, na Póvoa de Varzim, mas actualmente retirados do mar. O projecto, que representou um investimento de 8,8 milhões de euros e foi uma das bandeiras do mandato de Manuel Pinho, ex-ministro da Economia e Inovação, teve um arranque promissor em Setembro de 2008, mas está parado desde o início do ano, com problemas técnicos.

A EDP, que adquiriu recentemente 52 por cento do projecto do Parque de Ondas da Aguçadoura – um investimento de 2,5 milhões de euros – garantiu já que o parque deverá voltar a funcionar no início de 2011, com a tecnologia Pelamis II. O restante capital do projecto está nas mãos da Efacec, com 25 por cento, e da escocesa Pelamis Wave Power, com 23 por cento.

Numa 2ª fase, o objectivo deverá ser aumentar a capacidade para 20 MW, com a instalação de 25 máquinas, o que implica um investimento na ordem dos 60 a 70 milhões de euros e permitirá responder à procura média anual de electricidade de 15 mil famílias.

Além destas empresas, existem outras com interesse nesta área. É o caso da Generg, FDO, Eneólica, Galp ou o New Energy Fund.



Autor / Fonte
Marisa Soares
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