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Expo Energia 2009: Biocombustíveis carecem de uma estratégia nacional

2009-11-18

Portugal precisa de uma estratégia nacional que promova a introdução sustentável de biocombustíveis. O apelo foi feito hoje pelo investigador do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Francisco Gírio, durante a Conferência da Energia, na Expo Energia 2009, que está a decorrer no Taguspark, em Oeiras.

Numa apresentação dedicada aos biocombustíveis de segunda geração, Francisco Gírio traçou cenários de consumo energético sustentável em Portugal, tendo em conta a sua introdução no mercado. «A introdução da segunda geração de biocombustíveis em Portugal poderá trazer como benefícios o impacto de novas tecnologias e, também, permitir uma compensação mais eficiente do consumo de energia», explicou o investigador.

Para Gírio, um dos principais problemas colocados com a utilização do biocombustível de primeira geração é a necessidade de importação de matéria-prima, o que provoca igualmente impactes ambientais.

«Temos que reformular modelos e fomentar a descentralização energética dos recursos endógenos», afirmou, por seu lado, a arquitecta Lívia Tirone. A administradora da Tirone Nunes vê o futuro das cidades apoiado por redes bi-direccionais, em que os edifícios podem aproveitar os recursos endógenos e explorar formas de armazenamento sustentáveis. O armazenamento da energia não utilizada em veículos eléctricos, «numa lógica dessa necessidade de descentralização», foi um dos exemplos apontados por Lívia Tirone.

Contudo, o desafio está agora do lado das empresas e das tecnologias que podem ser implementadas. «O desafio da boa integração das energias renováveis já está lançado e a força está do lado do consumidor, cada vez mais exigente», concluiu a arquitecta.

Num painel dedicado às soluções de eficiência energética para edifícios e transportes, a questão da certificação não poderia estar ausente. Para Paulo Santos, da Agência para a Energia, a inserção de medidas em cada certificado emitido para melhoria da eficiência energética funciona como um estímulo aos proprietários. «Esta é uma forma de motivação para que sejam adoptadas soluções de redução de consumo, de forma a poder ser atingida outra classe energética», explicou Paulo Santos.

O desafio agora é criar condições para que as pessoas aumentem a eficiência energética dos edifícios, tanto ao nível da resposta do mercado, como em termos de incentivos financeiros. «Só assim se chegará lá», reforçou Paulo Santos ao Ambiente Online.

Autor / Fonte
Marisa Figueiredo
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