LNEC testa método inovador para tratar água

Processo híbrido com membrana cerâmica poupa energia

09.10.2013
Um novo processo de tratamento de água para consumo humano vai começar a ser testado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) no âmbito do projecto HyMemb, co-financiado pelo Programa LIFE. A investigação, que arranca em Janeiro de 2014, faz parte dos projectos aprovados para Portugal em 2012, na linha de financiamento destinada a acções-piloto para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras em diferentes sectores do ambiente.

“HyMemb – Optimização de processos híbridos de membranas e adsorção para produção sustentável de água para consumo humano” é como se designa o projecto do LNEC. A iniciativa será co-financiada em 282.678 euros, num orçamento total de 631.046 euros, através do LIFE - Política e Governação Ambiental. O projecto visa avaliar a viabilidade do uso de membranas cerâmicas em estações de tratamento de água, com redução dos impactes ambientais, como a pegada de carbono, produção de lamas, utilização de reagentes e consumo de energia.

Maria João Rosa, do LNEC, explica ao portal AmbienteOnline que o projecto se propõe “demonstrar a capacidade de um processo híbrido, com membranas cerâmicas de baixa pressão, no tratamento de água para consumo humano.” Na prática, através de microfiltração, associado à adsorção a carvão activado em pó, os investigadores vão procurar desenvolver um processo que permita uma redução de até 15 por cento do consumo de produtos químicos e produção de lamas, com uma diminuição significativa de energia em comparação com os sistemas de tratamento convencionais.

O novo processo, adianta a técnica, visa a “remoção de contaminantes emergentes, nomeadamente cianotoxinas, pesticidas, fármacos e outros compostos desreguladores endócrinos, vírus e formas biológicas resistentes à desinfecção química”. A investigação incluirá “estudos de resiliência e sustentabilidade do processo para fazer face a variações fortes e rápidas da qualidade da água de origem, amplificadas pelas alterações climáticas”.

A abordagem dos investigadores passará pela selecção dos tipos de carvão mais adequados e do seu doseamento no tratamento convencional e no processo híbrido de adsorção/microfiltração. Será avaliado o uso de membranas cerâmicas com baixo consumo de energia e elevada resistência química, que permitam condições de operação mais exigentes e maior tempo de serviço.

A investigadora do LNEC salienta que a equipa, para fazer face aos desafios e oportunidades de inovação no tratamento de água, “assenta em três pilares do conhecimento”: “engenharia, qualidade da água e ciências sociais”. O processo será testado na estação de tratamento de água de Alcantarilha. Maria João Rosa sublinha que a parceria com a empresa Águas do Algarve não tem a ver com uma eventual maior contaminação da água na região, mas apenas decorre de uma colaboração que já vem de trás.

Os ensaios vão permitir aferir a validade do processo como método de tratamento final, a utilizar futuramente em estações de tratamento de água, e ainda os casos em que poderá fazer parte de um sistema mais exigente de tratamento, possibilitando ultrapassar etapas com uma maior sustentabilidade ambiental. Os testes vão ter início em Janeiro próximo e o projecto decorre até Dezembro de 2016. O processo poderá vir a ser utilizado em estações de tratamento de água para consumo humano na União Europeia.

O LIFE HyMemb faz parte dos sete projectos aprovados em 2012 para Portugal, num investimento total de 11,5 milhões de euros. Além desta iniciativa da área Política e Governação Ambiental, foram seleccionados mais seis projectos na linha Natureza e Biodiversidade, a desenvolver na protecção de espécies e “habitats” em zonas prioritárias do continente e dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
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