Portugal e a nova era da reciclagem

13.09.2021

A ambição é grande: tornar a Europa no primeiro continente “carbon neutral” em 2050. Portugal até foi dos países pioneiros nesta matéria, tendo submetido, em 2019, às Nações Unidas, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. A gestão dos resíduos é determinante para se alcançarem as metas propostas e ganhou um novo “fôlego” e relevância com o facto de a China ter fechado as suas fronteiras à importação de resíduos de todo o mundo. Como escreveu o El País, tratou-se do “final definitivo de uma era na reciclagem de lixo mundial”.

 

Em Portugal, como ficamos na gestão dos nossos resíduos? Que desafios para a cadeia de valor de gestão dos resíduos de embalagens? Como reciclamos mais, atingindo metas e verdadeiras soluções de economia circular? As respostas estão na colaboração e na inovação. Mais colaboração entre parceiros, que inclui trabalhar com as autoridades e o Governo. Mais investimento em inovação, comunicando o que se faz nesta matéria em Portugal e envolvendo os consumidores. E, fundamental para a circularidade, valorizar os nossos resíduos como matérias-primas secundárias, incentivando a prática da reciclagem e a procura por reciclados.

 

A reciclagem não é uma realidade desconhecida para a SPV que há 25 anos está no mercado como entidade gestora de referência neste sector e com uma missão de serviço público. Uma missão renovada com todos os desafios que o sector dos resíduos tem pela frente. Um dos aspetos fundamentais desta atividade é garantir o escoamento dos lotes de resíduos de embalagens para reciclagem, independentemente das condições de mercado ou de constrangimentos logísticos que possam existir e garantindo sempre o cumprimento dos normativos ambientais aplicáveis.

 

A venda dos resíduos à indústria garante o fecho do ciclo dos materiais, contribui para aumentar a circularidade da economia associada à gestão de resíduos e maximiza o desempenho ambiental das soluções de embalagem abrangidas. Mas a transação dos resíduos com a indústria de reciclagem tem ainda outra vantagem que é a de contribuir positivamente para diminuir os custos de gestão de resíduos.

 

É ponto assente que devemos consumir menos recursos virgens do planeta e menos matérias-primas e por isso o foco é a circularidade. É aqui que a SPV tem um papel relevante na promoção e incentivo da economia circular.

 

Para isso, conta-se com parceiros, nomeadamente os SGRU, para promover uma maior eficiência e inovação do sistema de reciclagem, repercutindo nos seus clientes os custos otimizados da gestão dos resíduos de embalagem, necessariamente alinhados com os níveis de serviço, e estimulando uma responsabilidade alargada do produtor (RAP) mais racional, quer do ponto de vista económico, quer do ambiental.

 

Quando se pensava que o fecho de fronteiras na China iria provocar uma disrupção no mercado da gestão de resíduos, assistimos ao aparecimento de um conjunto de oportunidades que significam uma nova era na reciclagem. Os desafios estão vertidos na nova abordagem da Comissão Europeia, do EU next generation, no Green Deal, no novo pacote para a Economia Circular, o REfit 55, e na já referida ambição de a Europa ser o primeiro continente “carbon neutral” em 2050.

 

Este é o momento para acelerar a inovação, quer nas empresas, quer na cadeia de valor dos resíduos. Precisamos de criar soluções com base na digitalização, otimização e eficiência da gestão, tendo sempre como preocupação o envolvimento dos consumidores. Sem eles, as ambiciosas metas da reciclagem, a economia circular, a sustentabilidade e descarbonização serão mais difíceis de alcançar.

 

Ana Isabel Trigo Morais

CEO da Sociedade Ponto Verde

TAGS: Opinião , Sociedade Ponto Verde , reciclagem , Ana Isabel Trigo Morais
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