Opinião António Bolognesi (Energia - Brasil): O Sucesso da Geração Eólica no Brasil

18.01.2016

A geração eólica tem se mostrado uma boa opção de investimento no Setor Elétrico Brasileiro. Os leilões de compra de energia promovidos pela ANEEL, tem apresentado resultados bastante satisfatórios, e preços contratados próximos ao teto, o que indica relativa satisfação dos empreendedores com os valores de referencia.

 

Os contratos decorrentes dos leilões tem sido em volumes consideráveis a partir de 2009 quando aconteceu o segundo LER – Leilão de Energia de Reserva, dedicado exclusivamente para fonte eólica. Desde então, em quase todos os leiloes (A-3, A-5, Fontes Alternativas, Energia de Reserva) as eólicas tem apesentado resultados expressivos.

 

Na verdade, o mais importante estimulo ao desenvolvimento dessa fonte foi a criação do PROINFA – Programa de Incentivo as Fontes Alternativas de Energia Elétrica em 2004, concebido com a finalidade de promover a diversificação da Matriz Energética Brasileira, o qual, além da fonte eólica, também incentivou em volumes aproximadamente iguais, a energia da biomassa e das Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCH’s.

 

Nesse Programa, a fonte que mais se destacou foi a eólica, com a implantação de 53 parques somando cerca de 1.300 MW de capacidade. Os primeiros equipamentos instalados foram importados, no entanto, esse processo de expansão permitiu o desenvolvimento de uma sólida infraestrutura de produção de equipamentos e componentes voltados exclusivamente para esse setor.

 

Atualmente o Brasil conta com aproximadamente 9 GW de capacidade instalada em 349 parques e serão 18 GW em 734 parques até 2019 já contratados através dos últimos leilões de energia realizados em São Paulo na plataforma da CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.  

 

São contratos de 20 anos de duração na modalidade disponibilidade, com uma tarifa aproximada de R$ 180,00/MWh. Desta forma, a geração eólica deixou de ser apenas uma fonte de importância marginal e, já no final de 2015 representava cerca de 5% da geração total efetiva do pais, com mais de 3 mil MW médios, superando a energia gerada pelas Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCH’s.

 

A maior parte dos parques eólicos estão concentrados em quatro Estados Brasileiros, sendo o principal o Estado do Rio Grande do Norte com cerca de 2,3 GW em operação, seguidos pelos Estados da Bahia, Rio Grande do Sul e Ceará, que possuem cerca de 1,2 GW de potencia em operação cada um.

 

O Fator de Capacidade médio do pais é em torno de 37% (media dos últimos 4 anos), e o desempenho da maior parte dos parques tem sido dentro das expectativas iniciais, com alguns casos de superação. Em termos de benefícios ambientais, os resultados tem sido expressivos, com mais de um bilhão de toneladas de CO2 evitadas todos os meses.

 

António Bolognesi é mestre em Administração pela PUC Minas e especialista em Geração de Energia de fontes convencionais e renováveis possuindo uma experiência de mais de 35 anos no sector eléctrico brasileiro. É Diretor da Operman – Engenharia e Consultoria. Foi Director Presidente da EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo e Director  da CESP - Companhia Energética de São Paulo. Foi ainda  membro do Conselho de Administração do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico e da  CPOS - Companhia Paulista Obras e Serviços.

TAGS: Opinião , António Bolognesi , Brasil , energia , geração eólica
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